O meu nome é Eva. Mas podem tratar-me apenas por "A Outra", se quiserem. Claro que de tempos em tempos cada uma de nós é A Outra na vida dos gajos com quem vamos estando. Porque existem outras prioridades, pessoais ou profissionais, é claro. E na realidade, muitas vezes eles também descem uns pontos nas nossas próprias prioridades e passam a ser eles O Outro que empata e nos limita.
No meu caso, contudo, eu sou realmente A Outra. Sou o serão no escritório, o projecto que tem que ser entregue dentro do prazo, a súbita reunião no estrangeiro que calhou em tão má hora.
Mas fiquem descansadas, não vim com o objectivo de vos contar nenhuma história de fazer chorar as pedras da calçada. Achei apenas que seria útil poder proporcionar uma perspectiva diferente. Sei lá, pode até ser que vocês desse lado, as legítimas esposas, começem a olhar-nos de outra forma e se apercebam de quanto acabamos por vos facilitar a vida :)
Ou seja, vai ser assim: estórias e historietas, umas engraçadas, outras nem tanto. Todas baseadas em factos reais e vividas por quem tem, pelos vistos, vocação inata para se meter com esse gajo com quem são casadas, com quem vivem, para quem vivem, seja o que for.
Volto em breve com a primeira. Até lá... descontraiam e aproveitem as férias tanto quanto possível, sim ?
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Permita-me a cara colega dizer de minha justiça
11.7.09
Eu cá acho que a culpa tem de ser alguém, e que foi para isso que as relações foram inventadas. Para que os seus intervenientes sejam os amos da culpa, mestres das obrigações e senhores dos já devias saber e se não sabes é porque já não gostas de mim.
Quem mais tem a obrigação de saber tudo, desde a hora a que se tira o peixe do forno até à quantidade de vestidos que se compra por mês do que quem nos mete pele, carne e fluidos dentro? Quem mais passa mais horas dentro do nosso corpo, à parte nós mesmas (que já fomos suficientemente castigadas com borbulhas, queimaduras, saldo negativo)?
Sou apologista da culpa total: as pessoas com quem temos relacionamentos têm a culpa de todos os males do mundo, desde a crucificação de Cristo, passando pela segunda guerra mundial, não esquecendo a extinção do tigre branco e terminando na dita borbulha.
A redenção total passa por uma boa foda ou uns carinhos na cabeça.
Quem mais tem a obrigação de saber tudo, desde a hora a que se tira o peixe do forno até à quantidade de vestidos que se compra por mês do que quem nos mete pele, carne e fluidos dentro? Quem mais passa mais horas dentro do nosso corpo, à parte nós mesmas (que já fomos suficientemente castigadas com borbulhas, queimaduras, saldo negativo)?
Sou apologista da culpa total: as pessoas com quem temos relacionamentos têm a culpa de todos os males do mundo, desde a crucificação de Cristo, passando pela segunda guerra mundial, não esquecendo a extinção do tigre branco e terminando na dita borbulha.
A redenção total passa por uma boa foda ou uns carinhos na cabeça.
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