Não se recordava já em que ponto tinha perdido aquela vontade, se calhar nunca a tinha tido e teria sido só uma breve e virginal ilusão. Mas hoje mais do que nunca a coisa já se tinha tornado de tal forma mecânica que tinha que ocupar a mente com outros assuntos, tentanto abstrair-se do homem resfolegante que a agarrava de forma desesperada. "Porra para isto, este gajo não me corta as unhas, é isso, amanhã tenho que lhe comprar um corta-unhas. A acrescentar à lista de compras, deixa cá ver, um corta-unhas, pão, leite, sabão daquele azul para as nódoas de vinho na toalha de mesa da sala..." e assim desfiando o rosário de afazeres e obrigações esperava que o tempo passasse depressa para que ele finalmente a largasse e ela pudesse ter o seu momento de sossego. Sem passar pelo prazer, assim como quem vai directo à casa partida.
Era assim a vida, tinha-se perdido nela, encurralada entre um marido rabugento e inúmeras crianças as quais tinha uma certa dificuldade em identificar como suas. Queria parar tudo isso e saltar fora, procurar outro espaço, reclamá-lo só para si, sem marido nem filhos nem nada. Já estava na altura, já tinha aturado tudo, mais do que suficiente para que eles seguissem sem ela. Era isso, estava pronta para gritar "Basta!"
Mostrar mensagens com a etiqueta Sibila. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sibila. Mostrar todas as mensagens
Quanto mais alto melhor a vista
24.6.09
Nesta como em tantas outras situações, a questão é saber quando devemos parar de subir. Os pouco curiosos, ou mesmo medrosos, quedam-se sempre nos primeiros degraus, sentindo ali um certo conforto por terem o chão tão perto. A qualquer altura podem saltar do escadote e fugir, para terreno seguro, para debaixo da cama ou das saias da mãezinha que os pariu. Não arriscam muito, não sobem muito, mas também nunca irão longe.
Depois temos os mais cautelosos, aqueles que gostam de subir mas de preferência acompanhados, cai sempre mal assumirem as vertigens na face de outrem que os tem em tão boa conta. Em calhando estão os dois na mesma situação, cada um pensando que o outro é tão corajoso assim subindo como se não houvera amanhã.
E depois há os destemidos, essa espécie cada vez mais rara que se atira sempre de cabeça e com unhas e dentes a todas as oportunidades que surgem, como quem não tem nem nunca teve nada a perder. Confesso que adoro a veleidade dos destemidos, adoro que queiram sempre chegar mais alto, mais perto, mais dentro. Há uma certa loucura nesses que não sabem nem querem parar, pontapeando todas as pedras do caminho e estrafegando as aves que se atrevem a picar-lhes o pescoço. Não há nada mais excitante do que a obsessiva determinação destes sujeitos que na grande maioria das vezes conseguem tudo o que querem sem nunca perderem o equilíbrio nesses escadotes onde se empoleiram na ânsia bruta de chegarem ao topo.
E depois, uma vez lá, eu sou deles, têm-me nas suas mãos e fazem de mim aquilo que querem. Sou o seu prémio, e com eles comemoro a sua vitória duma maneira de tal forma intimista que quase me sinto vampira das emoções alheias. Enquanto se refastelam nas minhas carnes generosas mordo-lhes o pescoço à procura daquele sangue quente a bombear adrenalina e é desse elixir que me alimento e me conservo.
Preciso que os escadotes continuem a ser cada vez mais altos, preciso que os destemidos continuem a querer subi-los à procura da fúria doida do orgasmo, preciso disso para me manter viva!
Depois temos os mais cautelosos, aqueles que gostam de subir mas de preferência acompanhados, cai sempre mal assumirem as vertigens na face de outrem que os tem em tão boa conta. Em calhando estão os dois na mesma situação, cada um pensando que o outro é tão corajoso assim subindo como se não houvera amanhã.
E depois há os destemidos, essa espécie cada vez mais rara que se atira sempre de cabeça e com unhas e dentes a todas as oportunidades que surgem, como quem não tem nem nunca teve nada a perder. Confesso que adoro a veleidade dos destemidos, adoro que queiram sempre chegar mais alto, mais perto, mais dentro. Há uma certa loucura nesses que não sabem nem querem parar, pontapeando todas as pedras do caminho e estrafegando as aves que se atrevem a picar-lhes o pescoço. Não há nada mais excitante do que a obsessiva determinação destes sujeitos que na grande maioria das vezes conseguem tudo o que querem sem nunca perderem o equilíbrio nesses escadotes onde se empoleiram na ânsia bruta de chegarem ao topo.
E depois, uma vez lá, eu sou deles, têm-me nas suas mãos e fazem de mim aquilo que querem. Sou o seu prémio, e com eles comemoro a sua vitória duma maneira de tal forma intimista que quase me sinto vampira das emoções alheias. Enquanto se refastelam nas minhas carnes generosas mordo-lhes o pescoço à procura daquele sangue quente a bombear adrenalina e é desse elixir que me alimento e me conservo.
Preciso que os escadotes continuem a ser cada vez mais altos, preciso que os destemidos continuem a querer subi-los à procura da fúria doida do orgasmo, preciso disso para me manter viva!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
